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Reserva Marinha D. Carlos em consulta pública. Ambientalistas esperam que se afastem riscos deste oásis da biodiversidade

Reserva Marinha D. Carlos em consulta pública. Ambientalistas esperam que se afastem riscos deste oásis da biodiversidade

A criação da nova Reserva Marinha D. Carlos acaba de entrar em consulta pública, que vai decorrer até 6 de março. Vai ser a maior Área Marinha Protegida em Portugal ao abranger os montes submarinos de Madeira-Tore e Banco de Gorringe, com uma área de 173 mil quilómetros quadrados. É uma Reserva em alto mar que tem quase duas vezes o tamanho do território português em terra.

Arlinda Brandão - Antena 1 /

Fotografias: Fundação Oceano Azul

Na zona a proteger há ecossistemas "de grande valor ecológico e altamente vulneráveis" havendo muitos riscos para a conservação. É o caso do tráfego marítimo; pelo que será de esperar que os planos de gestão da futura Área Marinha Protegida tenham de antecipar medidas de protecção específicas, refere o documento posto em consulta pública.

Um documento que vai receber contributos de várias entidades e da sociedade civil que podem passar por exemplo por recomendações para limitar a pesca para salvaguardar a biodiversidade.


Ouvida pela rádio pública, a bióloga marinha Catarina Grilo que é a diretora de Conservação e Politicas da WWF Portugal; considera que a criação da Reserva Natural Marinha D. Carlos poderá afastar vários riscos deste oásis da biodiversidade
e dá alguns exemplos: "A pesca mesmo sendo permitida, imagino que nem toda vá ser permitida; temos a questão do tráfego maritimo e há também associadas a algumas atividades que não é só o atravessamento mas também a lavagem dos tanques e o transporte imadvertido de espécies invasoras e também a colocação de cabos submarinos". 

E acrescenta: "Portanto, esta Área Marinha Protegida poderá regulamentar um bocadinho e limitar estas atividades pelos impactos que têm na conservação da biodiversidade que aqui encontramos".

Em comunicado o Governo recorda o funcionamento do processo de classificação e as entidades envolvidas e diz que a escolha do nome da reserva presta homenagem a D. Carlos, "fundador da oceanografia em Portugal", cuja investigação pioneira abrangeu o mar profundo.

Com quase duas vezes a área do território emerso de Portugal, a Reserva D. Carlos será uma das maiores áreas marinhas protegidas da União Europeia, "reforçando a ambição nacional de cumprir o objetivo de proteger 30% do oceano até 2030", lê-se.

No documento os Ministérios do Ambiente e o da Agricultura explicam que será reforçada a proteção e classificação do Banco de Gorringe enquanto Zona Especial de Conservação (ZEC), por via da aprovação do Plano de Gestão que também é agora sujeito a consulta pública, prevendo-se medidas para a melhoria do seu estado ecológico e redução das pressões sobre os recursos marinhos.

E acrescenta-se ainda que a nova Reserva Marinha integra "alguns dos mais relevantes montes e bancos submarinos" do Atlântico Nordeste, incluindo também o Monte Josephine, o Monte Seine, o Banco Coral Patch e o Monte Ampère, "reconhecidos pela sua elevada produtividade e importância para espécies vulneráveis, migratórias e de elevado valor ecológico".

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, disse, citada no comunicado, que a Reserva "representa um marco histórico para a política de conservação do oceano em Portugal".

E o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, disse também que "estamos a proteger ecossistemas únicos, de enorme valor ecológico e científico, reforçando o nosso compromisso com a proteção da biodiversidade marinha, com a ciência e com as gerações futuras".
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